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O governador que mata crianças

Por Anderson Augusto de Zottis Soares – Crítica21
22/09/2019

Na última sexta-feira (20) uma menina de oito anos foi morta com tiro de fuzil no Rio de Janeiro. Não foi a primeira e, a julgar pela sanha assassina do governador Wilson Witzel, não será a última. A PM logo se apressou em divulgar nota dizendo que os policiais foram atacados e precisaram revidar. A versão não se sustenta, pelo relato do avô da vítima, pelo local e circunstâncias.

Foto: reprodução

Desde o início de sua gestão, o governador Witzel tem incentivado policiais militares a atirarem nas comunidades, sob pretexto de combater a criminalidade. É como se, para o político, a bandidagem vivesse toda ali e então fosse necessário atirar a esmo para livrar os cidadãos de bem de todo o mal. É a pena de morte instituída sem direito a defesa, processo legal. E não importa se inocentes vão morrer. O que vale é mostrar força, poder. Matar pessoas  - crianças inclusive -  é o efeito colateral para combater a criminalidade, impor medo na bandidagem.

A política de segurança pública de Witzel causa espanto pela irresponsabilidade. O governador aumentou o número de operações policiais, inclusive com o uso de helicópteros. Segundo estudo coordenado por Silvia Ramos, do Observatório da Segurança RJ e do Centro de Estudos e Segurança e Cidadania, “o resultado é o crescimento do número de pessoas mortas por essas forças, que deveriam ter como missão a proteção da população. Na Capital e na Grande Niterói, quase 40% das mortes foram causadas por ação policial.”

É possível afirmar que entre essas mortes estão crianças, como a menina Ágatha, de oito anos. O avô dela, Airton Félix, afirmou que não houve confronto entre polícia e criminosos: “Atirou por atirar na Kombi. Atirou na Kombi e matou a minha neta. Foi isso. Isso é confronto? A minha neta estava armada por acaso para poder levar um tiro?". Segundo a plataforma Fogo Cruzado, em 2019 cinco crianças foram mortas no Grande Rio (16 foram baleadas).

Esse é o retrato da era Witzel, em pouco mais de oito meses e governo. Mas o governador gosta de posar de homem forte, decidido. Quando a polícia abateu um homem que manteve pessoas como refém num ônibus ele apareceu logo na cena. Desceu de helicóptero na ponte Rio-Niterói, celebrando, portentoso, o desfecho.

A morte é a plataforma de governo desse político do Partido Social Cristão, que é tão vaidoso que já se coloca como pré-candidato a presidente da República. Quer federalizar sua sanha assassina, matar crianças em todo o Brasil. Parece absurdo? Há dois anos também parecia absurdo Bolsonaro ser eleito.

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